Bistrô da Poesia
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Textos

Deve haver um equilíbrio entre o que se espera do amor, e o que se deseja para si.

(Isabel Lemos, Éramos Seis)

Às vezes, em nome do amor, abrimos mão de coisas que desejamos.

Cedemos aqui, adiamos um sonho ali, mudamos planos, reorganizamos prioridades. E isso não é necessariamente ruim. Amar também é aprender a negociar caminhos quando decidimos dividir a vida com alguém.

O problema começa quando apenas um dos dois abre mão.

Quando aquilo que era concessão vira renúncia constante. Quando, para que o outro realize seus desejos, você começa a abandonar os seus. Quando seus sonhos vão sendo colocados numa gaveta, suas vontades deixam de ser ditas e você se acostuma a responder “tudo bem” para coisas que, no fundo, não estão nada bem.

Nenhum amor deveria exigir que alguém desaparecesse para que o outro pudesse existir por inteiro.

Porque amor é via de mão dupla.

É companheirismo. É confiança. É cumplicidade. É saber ceder — e também encontrar alguém disposto a ceder por você.

Não existe um à frente e outro atrás.

Existem dois caminhando lado a lado.

Às vezes um estará mais forte e oferecerá o braço. Em outros momentos, será ele quem precisará de apoio. Haverá sonhos individuais e sonhos construídos juntos. E precisa existir espaço para ambos.

Abrir mão de alguma coisa por amor pode ser uma escolha bonita.

Abrir mão de si mesmo, não.

Porque renúncias acumuladas não desaparecem. Elas podem virar frustração, ressentimento e, um dia, aquela pergunta dolorosa: “Em que momento deixei de viver a minha própria vida?”

Amar alguém não deveria significar escolher entre essa pessoa e você.

Talvez seja justamente esse o equilíbrio de que fala Isabel Lemos: conseguir construir um “nós” sem destruir o “eu”.

O amor que vale a pena não pede que você caminhe atrás.

Nem permite que você caminhe sozinho à frente.

Ele segura a sua mão.

E caminha ao seu lado. ❤️

Akasha De Lioncourt
Enviado por Akasha De Lioncourt em 30/10/2026
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