Bistrô da Poesia
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Textos

Eu converso com Deus cada vez que paro para ouvir um passarinho cantando.

Quando vejo o sol brilhar.

Quando acompanho, quase em silêncio, o desabrochar de uma rosa e o lento abrir de suas pétalas.

Mas há algo diferente quando estamos verdadeiramente em contato com a natureza.

Quando sentimos a água do rio correndo entre as pedras e ouvimos a cachoeira cair com toda a sua força, parece que alguma coisa dentro de nós também começa a correr.

A água lava mais do que o corpo.

Lava as dúvidas.

Carrega para longe os medos, as incertezas, os pesos que fomos acumulando sem perceber. E, ao mesmo tempo em que leva, devolve. Devolve força. Devolve serenidade. Devolve uma energia tão imensa que é impossível permanecer indiferente a ela.

Então vem o cheiro da mata.

O calor do sol tocando o rosto.

O vento atravessando as árvores.

O som da água que não cessa.

E, por alguns instantes, desaparecem as distâncias.

Não existe templo.

Não existe altar.

Não existe intermediário.

Existe apenas você, a natureza e aquela sensação profunda de que não há absolutamente nada entre a sua alma e a Divindade, o Criador.

Talvez conversar com Deus não seja necessariamente ouvir uma resposta.

Talvez seja justamente chegar a esse lugar de silêncio em que já não precisamos fazer tantas perguntas.

Porque, naquele instante, cercados pela grandeza daquilo que não criamos e que jamais conseguiremos controlar, alguma coisa dentro de nós simplesmente compreende:

Deus estava conversando conosco o tempo todo.

Akasha De Lioncourt
Enviado por Akasha De Lioncourt em 25/09/2026
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