Bistrô da Poesia
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        Imagem digitalizada de um desenho feito por Daniel Cardoso
                                (Olhando pela Janela)


                                 Janelas da Alma


 
Acordo com os olhos em festa, pensando que mais um milagre aconteceu. Sim, é o milagre da vida que em mim renasceu. Sentada na cama, olho pela janela e penso: essa poderia ser a janela do filme da minha vida e, de repente, uma grande tela surge na minha frente e começa a projetar o vídeo da minha história. Pela janela passam as cenas mais inusitadas, aquelas que sequer meu consciente se recordava. Começo a pensar que muitas coisas poderiam ter sido diferentes se eu tivesse optado por outro caminho, por outra forma de pensar. Vejo momentos que me levam às lágrimas de tanto rir e outros que realmente me fazem chorar. As vitórias, as conquistas, essas que costumamos tratar como coisas naturais e nem sempre damos o devido crédito por acharmos que é autopromoção e isso se chama vaidade ou orgulho. Mas por que não sentirmos orgulho de nossas vitórias? São nossas, são os frutos das nossas conquistas, dos nossos esforços, é preciso que eu aprenda a valorizar esses momentos pois eles são a força propulsora que nos impulsiona a continuar tentando, mesmo que haja o risco de errar da próxima vez.

A ausência forçada de reconhecimento e amor-próprio pode ocasionar a hipocrisia. Somos sim, hipócritas, quando nos lançamos no limbo com medo de estarmos em evidência e assumirmos nossos feitos. Eu mesma tenho sido hipócrita por toda uma vida buscando ficar o tempo todo na sombra sem me dar o devido e reconhecido valor. Pela janela entram as imagens que demonstram que eu acertei muitas vezes, mas esqueci-me de contabilizar essas ocasiões. Entretanto, cada erro, por menor que fosse, não só foi adicionado à minha lista de “fracassos” como serviram de escudo para que eu simplesmente parasse de buscar atingir meus sonhos e meus ideais. Isso sim é hipocrisia pura! Culpar os erros, os pais, os irmãos, os amigos e os inimigos pelo marasmo que se instalou na minha vida. Os erros servem para ensinar que temos opções, precisamos tê-las para saber o que nos serve e o que é descartável. O erro nada mais é do que o resultado de uma tentativa e o que somos nós nesta nossa existência do que meros aprendizes?

Pela janela do filme da minha vida vejo momentos dolorosos que gostaria de apagar, mas não posso. Tenho que aprender que a dor faz parte do processo evolutivo da minha alma e a intensidade dela dependerá do quanto me comprometo com a minha felicidade e com a prioridade que coloco em mim e na minha existência. Pela janela passam também momentos intensamente felizes que ficaram cobertos de teias de aranhas simplesmente porque eu decidi que o quartinho escuro do meu inconsciente era o melhor lugar para elas. Hoje, é o dia de trazê-las novamente à tona e fazer disso um momento em que me conscientizo de que a minha felicidade é única e exclusivamente da minha responsabilidade. Preciso me conscientizar dessa realidade e parar de simplesmente seguir o instinto humano de sempre achar um culpado pelas minhas incertezas e insucessos.

E, diante da mesma janela, observo que até o momento só permiti que por ela saíssem todos os meus desejos, meus monstros interiores, minhas dúvidas... Tudo isso projetado na tela do meu livro pessoal. De repente, percebo que estou novamente boicotando a minha vida, pois pela janela existe fluxo de entrada e saída e até agora eu só vi o que passou para continuar lamentando o passado que não posso mais adulterar. Começo a projetar nela desejos e sonhos futuros tentando não me deixar dominar pelo medo do desconhecido que se avulta na minha frente e não uso o crivo da autocrítica, que é muito rígido comigo, permitindo apenas que as imagens se projetem na minha frente. Nesse exato instante, percebo que não perdi a capacidade de sonhar e que se um dia isso acontecer eu perderei a motivação para viver. O sonho é inerente a todo ser humano e sem ele ainda estaríamos na Idade da Pedra. Deixar então, que entrem a esperança, a fé, a Luz... E até mesmo a sombra, para que eu possa valorizar cada extremo quando com eles me deparar.

E, ao final disso tudo, volto a pensar que o futuro depende do que eu semear aqui, agora, no presente, pois é sempre esse tempo quem mais sofre com a nossa negligência e descaso. Vivemos presos aos fantasmas do passado e sonhando com o futuro e nos esquecemos de que é aqui e agora o momento para tudo isso ser realizado. De agora em diante, vou fazer desse tempo o meu real presente, por estar vivenciando o milagre diário da vida, do amor, da esperança e da vontade de crescer e trilhar mais e mais caminhos, desde que eu os possa escolher. Isso é o que torna a vida repleta de oportunidades e magia. A magia real, palpável, chamada ESCOLHA. Sair do casulo, olhar pela janela e permitir que ela seja tão ampla quanto a porta que insisto em olhar apenas porque foi fechada.


Abro a janela, salto por ela e entro de cabeça na experiência de viver sem medo de ser atropelada pela roda da vida! Assumo com firmeza o meu crescimento e deixo de agir como a criança assustada que sempre fui. Esse é o meu desafio para o hoje. O Amanhã, este depende tão somente das escolhas que eu fizer agora!

 

26/05/2009

Akasha De Lioncourt
Enviado por Akasha De Lioncourt em 27/05/2009
Alterado em 27/05/2009
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