Bistrô da Poesia
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Feitiço do Tempo

Não fora o tempo nosso grande inimigo,
Ao contrário, tenho-o  como meu aliado,
Sempre que algo para mim dá errado,
Confio a ele o poder de redimir-me o pecado.

Tempo amigo, tempo conselheiro,
Ao contrário do que dizem não é traiçoeiro,
Ele é quem nos acalenta, e com esmero.
Nos momentos de dor ou mesmo desespero.

Tempo que cura a dor da saudade,
Que nos traz de volta a sanidade,
Tempo que ensina, tempo presente,
Que nos subtrai à dor do ausente.

Há tempo de semear, há tempo de colher,
Sempre o veremos assim: a  dar e receber.
Não fuja do tempo, não corra do invisível,
Porque ele não pára e é imperecível.

Feitiço do tempo, que nos torna imortais,
Por gestos, palavras e atitudes geniais.
Basta uma ação realizada com eficiência,
E teremos reconhecida toda uma existência.

As pedras irão transformar-se em poeira,
A efemeridade é inerente e rotineira,
O tempo nos transforma, nos lapida,
E sempre causará mudanças em nossa vida.

É o tempo quem promove o irreal,
De maneira tão modesta e natural.
Não é ele quem se encarrega da mudança,
Mas é o responsável pelo semear da esperança.

Tempo-Rei, aqui você é uma criança,
Não discuto e nem peço aliança.
Dono dos acontecimentos, senhor do momento,
Nada acontece sem o seu consentimento.

Feitiço do tempo, fez de mim uma esperança,
Mais que perfeito, sem retorno ou cobrança.
Inacabada a tua obra, segue orquestrada,
Nela, não há rumo perfeito, apenas a estrada

(21/02/2008)

Akasha De Lioncourt
Enviado por Akasha De Lioncourt em 06/06/2008
Alterado em 11/07/2008
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