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30/08/2008 14h20
Discurso de formatura - Nizan Guanaes

Discurso de formatura

(Nizan Guanaes - paraninfo de turma na Faap)


Segunda-feira, 10 de Novembro de 2003

 

.....Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

.....Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

.....A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, filho".

.....Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

.....Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal, é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo.

.....O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homem. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu.

.....Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: "Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito". É exatamente isso que está escrito na carta de Laudicéia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão; o fracasso, ao tédio; o escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso.

.....Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

.....Tenho consciência que cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.

.....Não use Rider: não dê férias a seus pés.

.....Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!"

.....Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, se fizesse alguma coisa.

.....Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. .....Das 8 às 12, das 12 às 8, e mais, se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.

.....O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta, enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

.....Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas; mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.

.....E isso se chama "sucesso".

(Nizan Guanaes (Salvador, 9 de maio de 1958), publicitário baiano, fundador da holding Ypy - renomeada ABC -, que conta com as agências Africa, e é acionista das agências DM9DDB, Loducca e MPM, além de atuar, através de outras empresas, nos segmentos de Serviços Especializados de Marketing (below-the-line) e Conteúdo.
 

Nascido na capital baiana, Nizan é filho de uma engenheira e de um médico. Administrador formado pela Universidade Federal da Bahia, começou a carreira em Salvador, na DM9, de Duda Mendonça, como estagiário. Transferiu-se para Artplan, na década de 80. Já trabalhou ao lado de Washington Olivetto na W/Brasil, antes de fundar a DM9 em São Paulo, com João Augusto Valente.

 

Sob seu comando, a DM9 se transformou numa das maiores agências do país (e uma das mais premiadas). Venderia sua parte da agência para a DDB Needham, em 1997, tornando-se DM9DDB. Nizan foi o fundador do portal iG e se manteve no comando da empresa por dois anos.

 

Hoje, preside a Africa, uma das maiores do mercado brasileiro, com uma estrutura diferente das outras agências do mercado, marcada por poucos e poderosos clientes; entre eles Vivo, Itaú, Nivea e Gradiente. e da Brama e Guaraná Antártica)


Publicado por Akasha De Lioncourt em 30/08/2008 às 14h20
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
23/08/2008 23h53
O Policial - João Pantaleão Gonçalves Leite
O Policial

João Pantaleão Gonçalves Leite
 
 

Há gente que ainda não sabe
O que a Polícia significa
Por maldade a crítica
Sem conhecer a verdade

E nesta oportunidade
Parafraseando os doutores
A Polícia meus senhores
É o exército da sociedade

Para proteger vos dar sossego
Lutamos de fronte erguida
Arriscamos nossa vidas
Para proteger as vossas

E gente ainda faz troças
Quando somos pisoteados
Dão razões aos renegados
 As razões que eram nossas

Essa gente erra senhores
Quando não erram se enganam
Pois errar é coisa humana
Quando o engano não vem

Se o policial errar também
Há sempre alguém que o entrega
E finge que não enxerga
Quando ele pratica o bem

Somos aquele alvo humano
Das armas dos delinqüentes
Estamos sempre presentes
Nos combates contra o mal

Somos a guarda social
Desta batalha renhida
Arriscar à própria vida
É o lema do Policial

O Policial que é casado
Não vive para a família
Sem poder ao filho ou a filha
Dar um pouco de carícias

Do lar não colhe delícias
Porque na cidade ou no morro
Há sempre um grito de socorro
Chamando pela Polícia

Quando sai em diligência
Despede-se dos filhos seus
Vai com Deus, papai, vai com Deus
Lhe diz o filho querido

Depois então tem se lido
Em manchete de jornal
Foi morto um policial
Ao prender um foragido

Tristonho o filho pergunta
A sua mãezinha que chora
Por que meu papai demora?
Estou com saudades demais

Quero expandir os meus dias
Com forte beijo em sua testa
Para depois cantar em festa
A linda canção dos pais

Sim, meu filho adorado
Hoje é o Dia dos Pais
Mas o teu não volta mais
Você tem que compreender

É triste mas vou dizer
O teu Pai minha flor querida
Ontem perdeu a vida
No cumprimento do dever

E o filho nada entende
Do que a mãezinha lhe diz
Continua bem feliz
Esperando o amado pai

O sol desmaia, a noite cai
Venta muito, é mês de outono
E o pequeno sente o sono
E o bercinho lhe atrai

Noutro dia de manhã
Faz perguntas sem receio
Mamãe, papai já veio
Mas de repente se cala.

Esmorece perde a fala
Ao ver o pai do coração
De mãos postas no caixão
Sobre a mesinha da sala

Neste momento compreende
Ao ver a sala tão triste
Seu peitinho não resiste
Dos olhinhos rola o pranto

Pois o pai que o queria tanto,
Lhe deixou na solidão
Foi cumprir outra missão
Com destino ao Campo Santo

E o pequenino fica tristonho
Com os olhos razos d'água
Fica enxugando sua mágoa
Que um delinqüente causou

A herança que lhe restou
Foi uma placa com a gravura
"Honra ao mérito por bravura"
Que o próprio tempo gravou

E hoje com sua mãe
Nos dedinhos vai contando
Os anos que vão passando
E o tempo que o pai morreu

Do mesmo não esqueceu
Conta dez, conta onze
E aquela placa de bronze,
Nunca um abraço lhe deu

Vejamos a outra face
Em que meu nome figura,
É sem placa sem gravura
Não tombei porque Deus não quis

Senhores aquilo que fiz
Foi sem rancor e sem maldade
Para dar paz a sociedade
Eu tive um golpe infeliz

Numa noite negra fria
Chovia torrencialmente
Fui chamando de repente
Para atender a ocorrência

Deixei com paz a paciência
O mundo alto que dormia
Quando o baixo se divertia
Nos vapores da violência

Procurando manter a ordem
Fui em busca de um delinqüente
Que furioso violentamente
Quis roubar a vida minha

Mas, a sua sorte foi mesquinha
Não completou o arramate
E eu para não ficar no combate
Usei dos meios que tinha

Vejam meus senhores
A situação que fiquei
Contra a vontade matei
Para salvar a minha vida

E desta luta renhida
Recebi como troféu
Tormento num banco de réu
Julgado por homicida

Mas diante de sete homens
Foi revivido meu drama
E Deus Pai Divino que ama
Iluminou mente por mente

E perante o povo presente
Guiou o desfecho final
E num silêncio total,
Ouve-se o magistrado:
"Declaro o réu inocente"

Sendo assim eu peço à Deus
Que apague o que aconteceu
E faça mais do que eu
Um policial de retorno

Que diga ele de novo
À grande massa social
Que o braço do Policial
É a segurança do povo.


Publicado por Akasha De Lioncourt em 23/08/2008 às 23h53
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13/08/2008 19h51
Agora é a hora de apoiar a polícia - Evandro Pelarin
Agora é a hora de apoiar a polícia

 

Evandro Pelarin - Juiz de Direito da 1.ª Vara Criminal e da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fernandópolis - SP
 

Apoiar a polícia com aplausos faz bem. Reconhecer o mérito de nossos policiais deve ser rotina. Mas isso não é tudo. Nós, cidadãos paulistas, temos que estar ao lado de nossa força policial neste momento, quando se reivindicam melhores salários, condições mais dignas para profissão. Agora é que nós temos que mostrar o quanto estamos ao lado de nossos policiais.

Os policiais paulistas estão entre os de menor salário do país. Mesmo assim, a polícia paulista, civil e militar, pode ser colocada - se não como a melhor - entre as melhores do Brasil. Isso tem todo fundamento. Bastam simples considerações.
 

O estado de São Paulo tem a maior população entre todos os estados brasileiros. A maior riqueza do país está aqui. Tudo é grande. Inclusive, os problemas. Porém, em matéria de segurança pública, o nosso estado não é o pior. Ao contrário. Por exemplo: Não há facções criminosas, soltas, que dominam áreas de grandes cidades. Nada disso. A única facção criminosa que se tem notícia está atrás das grades. Alguém parou para perguntar qual a razão disso?
 

Não existe, neste estado, em qualquer cidade, lugar que a polícia não chegue. Ninguém, neste estado, tem que pedir permissão para entrar neste ou naquele bairro, dominado por esta ou por aquela organização criminosa. Por quê?
 

São Paulo, sozinho, não tem metade da população do Brasil. Mas tem metade dos presos do país. Ou seja, nenhuma polícia prende tanto como a paulista. As cadeias estão lotadas. Aliás, as melhores e mais seguras penitenciárias estaduais estão aqui. Alguém parou para pensar que fugas em nosso estado são raras, comparando com outros estados da nação?
 

No estado de São Paulo, nos últimos anos, tem declinado, sensivelmente, os índices de crimes graves. Homicídios e latrocínios estão em queda há muito tempo. Por que disso? Os criminosos estão tendo `consciência social´ e deixando de cometer crimes? Ou estão com medo de ir para a cadeia, quando já não estão lá?
 

A resposta a tudo isso é a seguinte: nossa polícia defende o cidadão. É profissional. E tem que ser tratada com respeito. Salário digno.
 

Aqui, em nossa cidade, nossa polícia merece ou não nossa confiança? Em pesquisas recentes, publicadas na imprensa local, temos visto que o fernandopolense dá notas altas para a polícia, sempre acima de oito. Aliás, na nossa área, da infância e juventude, disse uma vez, publicamente, e repito aqui: metade do mérito de nossas ações pode creditada ao conselho tutelar, ao judiciário, ao ministério publico, às igrejas, ao pessoal que cuida dos menores infratores, à OAB, à Fundação Casa, às escolas, ONGs, clubes de serviço, sociedade em geral.
 
 
 
Mas a outra metade tem nome: polícia. A nossa segurança nós devemos, na maior parte, à nossa polícia.
Por tudo isso, eu apoio o movimento da polícia por melhores salários para a corporação. Minha gratidão vai além do aplauso. Valorizar o nosso policial, pelo salário digno, é um ato de cidadania.
 

(Evandro Pelarin - Juiz de Direito da 1.ª Vara Criminal e da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fernandópolis - SP) 

Publicado por Akasha De Lioncourt em 13/08/2008 às 19h51
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13/08/2008 19h32
Greve dos policiais: TRT-SP propõe suspensão da paralisação

Últimas Notícias - 13/08/2008

Greve dos policiais: TRT-SP propõe suspensão da paralisação

Nesta quarta-feira (13), o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP) realizou audiência de conciliação para exame do dissídio coletivo de greve dos policiais civis do Estado de São Paulo.

 

O Tribunal formulou a seguinte proposta conciliatória:

 

1 – As categorias profissionais suspendem o movimento paredista hoje iniciado, permanecendo todavia sob “Estado de Greve”;

 

2 – Até sexta-feira próxima, dia 15.08.2008, as partes envolvidas indicarão dois membros de cada uma das categorias; e quatro membros do Governo do Estado, formando uma comissão, com o objetivo de deliberarem sobre assuntos de interesse das categorias;

 

3 – Até a próxima quarta-feira, dia 20.08.08, cada categoria formalizará pauta de reivindicações, partindo das mais urgentes até aquelas que demandem maior tempo para apreciação;

 

4 – Também na próxima quarta-feira a comissão constituída reunir-se-á no Tribunal, participando como auxiliar na mediação representante da Assessoria Econômico-Financeira do TRT-SP. Também participará representante do Ministério Público do Trabalho.

 

5 – Nessa reunião será inicialmente objeto de discussão uma proposta relativa à melhoria salarial, tendo em vista a estrutura de cargos.

 

6 – O Governo do Estado de São Paulo não tomará nenhuma atitude de retaliação relativa ao movimento eclodido na data de hoje.

 

As partes aceitaram as condições propostas pelo Tribunal.

 

A audiência de conciliação, que teve como suscitado o Ministério Público do Trabalho da 2ª Região e, como suscitantes, a Procuradoria Geral do Estado e o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, entre outros, foi conduzida pela Desembargadora Dora Vaz Treviño, Vice-Presidente Judicial Regimental.

 

Fonte: Secretaria de Dissídios Coletivos


Publicado por Akasha De Lioncourt em 13/08/2008 às 19h32
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13/08/2008 09h47
Greve pára a Polícia Civil hoje
13/08/2008 - Polícia- Jornal da Cidade (Bauru)
Greve pára a Polícia Civil hoje 
Após o fracasso nas negociações com o Governo do Estado, policiais civis de São Paulo entram hoje em greve por tempo indeterminado. Reivindicam reajuste salarial e reestruturação da carreira. Em virtude da paralisação, as delegacias abrirão normalmente, mas serão registradas somente ocorrências de flagrantes e feita remoção de cadáveres.

Os demais serviços, como investigação e encaminhamento de inquérito, estão suspensos. Em Bauru, a expectativa do comando de greve é de adesão maciça - são quase 200 policiais na cidade e cerca de 300 na região. Por força de lei, 30% deles têm de manter as atividades. De acordo com o Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), para atender a escala mínima de trabalho, os policiais vão atuar em sistema de revezamento (de 12 horas).

Logo pela manhã, às 7h, os policiais em greve estarão reunidos em frente ao plantão da Polícia Civil, na Praça Dom Pedro II. Em seguida, às 8h, participam de um ato aberto com o Hino Nacional. Depois, os grevistas vão se reunir na Associação dos Investigadores, situada no Jardim Bela Vista, onde será realizado o balanço do movimento na cidade, na região e no Estado.

Ontem, o comando de greve, que reúne sindicatos de 14 instituições da Polícia Civil, fazia os últimos preparativos para a paralisação. Muitos policiais já trabalhavam com adesivos informativos sobre a iniciativa coletiva.

Insuficiente

Até o fechamento dessa edição, as propostas feitas pelo Governo do Estado não atendiam as reivindicações da categoria, segundo o Sipesp. O pagamento da Gratificação por Acúmulo de Titularidade (GAT), por exemplo, só beneficia os delegados, explica a entidade. Para o comando de greve, a intenção do governo de enviar proposta à Câmara Legislativa para extinção da quinta classe para todas as carreiras da Polícia Civil também não é suficiente. A medida elevaria o piso inicial do policial civil.

Nos últimos dias, o comando de greve percorreu várias cidades da região em busca da mobilização dos policiais. Ao avaliar o comparecimento dos policiais a estas reuniões, a expectativa é de adesão geral na região. Em Botucatu, Lins e Jales, por exemplo, mais de 100 policiais compareceram para discutir a situação. Em Bauru, o movimento também demonstra força. Ontem, vários delegados reiteraram a disposição de integrar a greve, em reunião realizada na Delegacia Seccional.

No entanto, o titular Doniseti José Pinezi decidiu aguardar a paralisação para manifestar-se sobre ela. “Dificuldades e divergências que forem surgindo, o comando de greve vai deliberar”, explica Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp). Neste caso, os interessados devem procurar a Associação dos Investigadores da Polícia, rua Comendador Leite, 2-38, no Jardim Bela Vista.


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Reivindicações

Entre as reivindicações da Polícia Civil, estão o reajuste salarial de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), incorporação das gratificações aos vencimentos (inclusive para aposentados e pensionistas), reestruturação da corporação, valorização da carreira e melhores condições trabalho.

De acordo com Sipesp, os policiais não recebem reajustes significativos nos salários há 13 anos e a defasagem chega a 200%. Ainda segundo a entidade, um delegado em início de carreira em São Paulo tem salário de R$ 3.500,00, enquanto que o mesmo cargo em Brasília, por exemplo, chegaria a R$ 10.800.

“O Estado de São Paulo tem o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e oferece uma das piores remunerações para a categoria em todo o País”, observa um policial civil que preferiu não se identificar.

No entanto, o governo do Estado tem ressaltado que, em outubro do ano passado, o governador José Serra sancionou aumento salarial de até 23,43% para os 125 mil policiais civis, militares e técnico-científicos do Estado.


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Inédito

A greve iniciada hoje pela Polícia Civil tem perfil inédito, segundo Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp). “Nestes moldes nunca houve. No ano passado tivemos paralisação de um dia. No passado também já houve paralisações sim, mas sem comando de greve, sem organização. É a primeira greve orquestrada na Polícia Civil, com data de início sem data de fim”, explica.

Ele ainda ressalta que anteriormente haviam movimentos isolados, cujas conseqüências eram retaliações.
 
Luciana La Fortezza/Colaborou Ieda Rodrigues 

Publicado por Akasha De Lioncourt em 13/08/2008 às 09h47
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