Bistrô da Poesia
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Meu Diário
19/10/2010 17h35
Dilma x Serra, uma análise sem sectarismo
Recebi por e-mail e estou repassando com o recado inclusive:



Prezado Raymundo.
Parabéns pela bela análise isenta e por distribuí-la, no intuito de nos mostrar que a Neutralidade não pode existir.
Lutamos muito para conseguir esse Direito de Voto.
Nada na Natureza é igual, portanto escolhamos. E aí estão os fatos comparativos, sem picuínhas, ofensas ou jogo baixo que temos visto ultimamente.
Repasso, com orgulho.
Cesar Porto


Tentando um análise sem sectarismo da opção DILMA x SERRA
 
Em primeiro lugar devemos saudar o Brasil pela opção. São duas pessoas corretas, preparadas, com histórico de dedicação à causa pública. Como escolher entre elas, que critério adotar? Apresento a seguir a linha que adotei para justificar minha escolha.


Pessoas corretas
Por mais que tenha caído o nível das colocações nesta campanha, das mais caluniosas de que me recordo, não há acusações à honestidade dos dois, no máximo havendo ataques a auxiliares dos dois, fato de que ninguém está livre, tanto que há acusações, neste sentido, a ambos.


Pessoas preparadas
Serra foi para o exílio no Chile, onde estudou e lecionou economia, com livros publicados, tornando-se um economista respeitado. De volta ao Brasil, foi deputado constituinte com desempenho destacado, além de ter sido eleito senador, posição da qual se afastou para assumir o Ministério do Planejamento e, posteriormente, o da Saúde nos governos do Fernando Henrique, sempre com competência reconhecida. Posteriormente foi Prefeito da Cidade de São Paulo e, por seus méritos, foi eleito Governador do Estado, com desempenho de muita competência.
Dilma, ainda jovem,  foi a primeira mulher a assumir a secretaria de finanças da Prefeitura de Porto Alegre, governo Collares, tendo posteriormente, por seus méritos, assumido a Secretaria Estadual de Minas e Energia do Estado do Rio Grande do Sul. Participou da elaboração do Programa de Energia das Campanhas do Lula e, uma vez eleito, ele a chamou para ser a primeira mulher Ministro de Minas e Energia e Presidente do Conselho da Petrobras, passando a frente de diversos PhDs que ajudaram a fazer o Programa de Governo. Seu desempenho foi tal que, quando a crise no primeiro governo levou ao afastamento do Dirceu, ela é chamada para a Chefia da Casa Civil e coordenadora de todos os Ministérios, com desempenho excelente e uma das razões do sucesso do atual governo. Basta comparar o governo Lula sem Dilma na Casa Civil com o Governo Lula com Dilma que logo sobressaem sua competência e preparo.
São, portanto, duas pessoas preparadas para assumirem a Presidência da República.


Dedicação à causa pública
Serra, desde jovem, se torna líder estudantil e daí, por sua competência, Presidente da UNE. Com o golpe militar é obrigado a se exilar, indo para o Chile. De volta ao Brasil, mantem-se na vida pública, com diversos mandatos, não se limitando simplesmente a uma vida universitária.
Dilma, jovem ainda, se integra à resistência clandestina na luta contra a ditadura, sendo presa, barbaramente torturada e com exemplar comportamento, preserva a vida dos companheiros de luta. Com a democracia, mantem-se ligada à esquerda, assumindo importantes cargos na vida pública, como citado acima.
São, portanto, duas pessoas dedicadas à causa pública.


Denúncias de corrupção
Considero a questão da corrupção gravíssima. Ela tem acompanhado nossa política há séculos. Denúncia de corrupção tem acompanhado todos os governos de que me lembro.
Por minha idade, lembro-me do chamado “mar de lama”, expressão que o Carlos Lacerda, líder da direita e do golpe de 64, usava contra Getúlio Vargas. Acusações semelhantes foram usadas contra Juscelino. O Golpe de 64 martelava que tinha vindo para combater a corrupção e o comunismo. No bojo dessa bandeira, muita gente ficou rica. Portanto, tenho receio do uso simplista da denúncia de corrupção, pois serve para esconder escândalos maiores. Lembro-me de um grande amigo, conservador inclusive, que dizia que essa bandeira frequentemente era usada para combater a corrupção no varejo, enquanto esquecia-se da corrupção no atacado.
Devemos condenar a corrupção grande ou pequena, mas não devemos desviar a atenção de grandes questões no denuncismo sem bases, por mais simpática que seja, à população, a acusação escandalosa.
No caso desta eleição, há denúncias de corrupção em todos os últimos governos, seja no de FHC (denúncia de compra de votos para a reeleição, entre outras) seja no de Lula ( o mensalão, entre outros). Não creio que tenha havido mais corrupção no Governo Lula. Houve, sim, mais exposição de fatos, mais transparência, o que é muito bom. Houve também, toda uma grande imprensa, contra Lula, que buscava encontrar, e muitas vezes encontrava, irregularidade de maior ou menor monta e dava a eles expressão suficiente, buscando enfraquecer o governo Lula.
Portanto, não considero que a escolha se deva fazer simplesmente pelo nível de corrupção, até porque cada lado mostrará que houve mais no outro governo. Essa discussão tende a despolitizar a decisão de cada um.


Política de Alianças
É comum que a escolha se dê em função de quem apoia quem. Aí também é difícil a escolha. Na primeira campanha de Serra, seu vice era do PMDB, hoje, o vice de Lula é do PMDB. Dilma é apoiada por Sarney e Collor ao passo que Serra é apoiado João Agripino e Cesar Maia. Hoje o PMDB está com Lula, enquanto o PFL (DEM) está com Serra. Renan Calheiros está com Lula e Roberto Jefferson está com Serra. Essas alianças são fruto da falta de nitidez ideológica em nossos partidos. Na verdade, todos gostariam de ter o PMDB como vice, pela estrutura capilar do PMDB em todo o país.


Como escolher
Em primeiro lugar, não sou psicanalista, não sou amigo pessoal de nenhum dos dois candidatos, não os estou convidando para tomar chopp nem jantar na minha casa. Quero escolher o melhor para ser Presidente do Brasil.
Neste ponto fico com o clássico que afirma: “ você é você e suas circunstâncias”.
Dilma é Dilma e suas circunstâncias. Serra é Serra e suas circunstâncias.
É preciso olhar e ver o que envolve cada candidatura, politicamente; olhar as circunstâncias de cada candidatura.
Em torno de Serra, com peso em sua campanha, vejo Paulo Renato, que foi horrível para as universidades públicas brasileiras; vejo Alkmin, ligado ao setor mais reacionário e conservador da igreja; vejo o PFL (DEM) que representa o que há de pior nos velhos caciques políticos brasileiros. Vejo, também, bons quadros como Marcello Cerqueira, antigo advogado de presos políticos; Luiz Henrique, ex-governador de Santa Catarina, um dos bons nomes do PMDB, que se afastaram pelo sectarismo do PT local, entre outros.
Em torno de Dilma, vejo José Dirceu, que decepcionou profundamente, depois de ter sido uma esperança; vejo Pallocci e Meireles que, elogiados pelos conservadores, mantiveram uma política de juros altos, que concentra a riqueza e ameaça desindustrializar nosso país; vejo o PMDB que sem ser um PFL, tem também muitos quadros do velho caciquismo político. Vejo, também, excelentes quadros como Leonardo Boff; Hermann Baeta, ex-presidente da Ordem dos Advogados; Eduardo Campos, reeleito Governador de Pernambuco; Tarso Genro, novo Governador do Rio Grande do Sul, entre outros.
Olhando esse quadro, preciso escolher, tendo clareza de que não escolho entre os puros e os impuros, entre os bons e os maus. Minha escolha se baseará na visão política que tenho dos rumos que cada um deve impor ao Brasil.
Vou pegar três pontos emblemáticos para mostrar a construção de minha decisão.


Política Externa
Talvez seja dos pontos mais polêmicos do Governo Lula e por isso vou começar por ele.
Neste governo Lula, o Brasil fortaleceu seus laços com a América Latina, a África e os países em desenvolvimento, como a China, Índia e mesmo a Rússia.
O fortalecimento do G20, no lugar do G8, incluindo países em desenvolvimento é trabalho do Brasil. A Alca representava a ameaça, para o Brasil entre outros, de nossa desindustrialização, a exemplo do que ocorrera com o México, a partir da Nafta. O enterro da Alca foi trabalho do governo brasileiro. Os governos progressistas da América Latina têm encontrado no governo Lula forte apoio, buscando construir relações novas, evitando os perigos de um neocolonialismo. Por trás dessa postura há um grande diplomata brasileiro, Samuel Pinheiro Guimarães, que no governo FHC esteve no ostracismo.
Sem dúvida houve grandes avanços em nossa política externa, com a conquista de novos mercados, reduzindo a dependência comercial com os EUA, ampliando as relações com a China e muito mais. As posturas do Brasil, tentando ser um elemento importante na luta pela Paz devem também ser enfatizadas, por mais que isso irrite os que bajulam as posturas imperialistas dos EUA.


Petrobrás
Houve, sem dúvida, um grande fortalecimento de nossa maior e mais querida empresa, nestes governos Lula. É inegável que nos governos FHC se tentou, sem êxito, iniciar um processo de privatização da Petrobrás. A tentativa de mudar o nome para Petrobrax foi algo simbólico no rompimento da mística da empresa; fracassou pela resistência da população.
Nos leilões das novas áreas, instituídos nos governos FHC e, infelizmente, mantidos nos governos Lulas, o Brasil oferecia aos vencedores dos leilões a propriedade do petróleo achado. Isso mesmo, quem achasse petróleo seria dono dele. Muitos desses leilões se davam em áreas já estudadas pela Petrobrás, reduzindo os riscos da exploração. Pela iminência da crise do petróleo, as grandes empresas estão sedentas de novas áreas, novas reservas. A Petrobras, nos governos FHC, estava reduzindo sua participação nesses leilões, enquanto as multinacionais do setor aqui desembocavam com carga total. Isso representava o enfraquecimento da Petrobrás e sua preparação para ser privatizada. Esse fato é amplamente conhecido na área, sendo muito mais importante que eventuais declarações de desejo de privatizar ou não. A vitória de Serra e suas circunstâncias reavivará essa política dos governos FHC. Em risco a Petrobras.


Telecomunicações
Tem sido alardeado, diariamente, que os celulares são fruto das privatizações dos governos FHC. Não tivesse havido as privatizações e o Brasil estaria usando os caríssimos telefones fixos, de triste memória.
Nada mais longe da verdade!!! Os celulares explodiram no mundo todo. Hoje, sem qualquer FHC, há celulares em Uganda, Moçambique, China, Índia, Equador, Bolívia, África do Sul, Egito, Nigéria ...
Os celulares são resultado dos enormes avanços tecnológicos na área da microeletrônica. Aí estão os microcomputadores, as agenda eletrônicas, a Internet, os telefones celulares, entre tantos outros novos produtos que surgem a cada dia. Espero que eles não sejam apresentados como resultado das privatizações dos governos FHC.
Não cabe historiar todo um processo, mas antes das privatizações, as telefônicas públicas ficaram impedidas de investirem. A elas eram negados financiamentos ou mesmo liberdade de ação, com o objetivo claro de enfraquecê-las, a exemplo do que se tentava, sem êxito, na Petrobras.
Que se privatizassem as celulares nas pontas, não haveria problema, isso não seria estratégico para o Brasil. A companhia celular de São João de Deus me Livre poderia ser privada, mas nunca a Embratel que representava a espinha dorsal do sistema de telecomunicações e possuía os satélites que eram fundamentais para o Brasil, visto globalmente.
Foi-se tudo e o Brasil passou a ter um CPqD de Campinas desmotivado, enfraquecido, as tecnologias vindo de fora e nos tornando usuários de caixa preta.
Na área de petróleo foi o oposto, pois o CENPES, da Petrobras, é motivo de admiração em todo o mundo pela vanguarda tecnológica que representa. Nas telecomunicações perdemos essa batalha, fruto de uma privatização sem critério, fruto da falta de uma visão estratégica para o Brasil, como tem a Petrobrás.


Conclusões
Longe de mim, pretender fazer uma análise neutra; não há neutralidade na política. Sempre carregamos nossa visão de vida, nossas histórias.
Poderia terminar citando outros exemplos pouco apresentados, como os investimentos dos governos Lula nas universidades públicas, abandonadas pelos governos FHC. Nas áreas de ensino técnico, creio que estão sendo mostradas, e bem, as conquistas atuais.
Essas são algumas das razões para eu ver uma distinção nítida entre as propostas e as possibilidades de avanços, independente do estudo do caráter dos candidatos, que me parecem, ambos, pessoas sérias e com boas intenções.
Escolho Dilma, por ela, pelo histórico dos governos e pelas condições que a cercam.
Por tudo isso, voto na DILMA.


E eu também...

Akasha


Publicado por Akasha De Lioncourt em 19/10/2010 às 17h35
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